domingo, 8 de novembro de 2009

Geisy




Geisy...

Não tema os homens.

Eles são muitos, gritam alto, sapateiam... Mas a força deles é física, a mente deles mingua, a sensibilidade raramente existe.

Porém, tema as mulheres.
Porque a força do grito delas justifica a bestialidade deles.
E delas eu fiquei com medo.
O receio visto e ouvido que tive certeza ainda existir: mulheres que defendem a ofensa e ofendem suas iguais.

Isso me enoja. As mulheres que gritaram contra você.
Que se dispuseram a se convencer que o crime era seu...
E a condenar... mas Deuses, por quê?

Ah... Geisy.
Eu bem queria entender.

Que mulheres foram essas que se dignam a apredejar outras iguais.
Que um dia, no foco da turba, poderia estar uma delas!
Como não se dispor a defender que é ofendida?
Como se unir à turba enlouquecida?

Como mulheres - sensíveis, inteligentes, liberadas - se prestaram a gritar "Puta!" por uma saia mais curta? Uma perna mais grossa? Um andar mais sensual?

Não podemos mais ser sensuais?
Vivemos mesmo aonde?

Nada justifica a violência e a agressão.
Nenhuma roupa curta, decotada, transparente pode justificar um estupro real.
Por que justificaria um "estupro" moral?

Ah Geisy... agora temerosa até eu estou.
Porque temo a inveja, a ignorância e a injustiça.

Aliás, pode temer também a justiça.

A justiça sem ética de uma faculdade despreparada.
Tema a opressão feminina na porta da sua sala.
Tema, talvez, o tamanho da saia - que não deveria temer! - mas tema porque suas pernas são símbolo de poder!

Geisy...
É pena ver seu caso exposto.
Mas a sua defesa causou alvoroço.
Cabeças pensantes, e não alvitantes, que se puseram a defendê-la.

Não esqueça: quem te xingou é que é bestial, anormal, ditadorial. Sexista, exclusivista. Ridículo, estúpido, minúsculo.

Geisy, o que aconteceu com você é a chaga exposta da nossa sociedade, que se finge de igualitária e que acoberta esse tipo de maldade.
E para a turba que a atacou dê o troco. E para a faculdade que a caluniou, dê o troco também.
Que pese no bolso. Cobre tudo, cada vintém.
Que eles sintam, onde mais vai doer, a força que você tem.

E para finalizar...


Suas pernas, Geisy, não fique temerosa e não vá escondê-las.

Sua conduta é crível!
Seu comportamento é normal.
Sua roupa nada tinha de ofensiva.


Não se esqueça.
Você é livre!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Maldições femininas


Por Ana Marques

Vivemos entre maldições.

Entre brincadeiras abusivas e mensagens subliminares vamos gravando qual é o nosso papel enquanto ser social. Sabemos quem somos e aonde devemos ir.

Sabemos que vivemos para amar.
Inclusive em prol da desistência de nossa própria vida e sonhos.

Sabemos que estamos aqui e vivemos para sacrificar tudo.
Inclusive nosso orgulho, auto-estima e a nossa essência.

Mulheres tem jogo de cintura.
Mulheres amam mais e pensam menos.
Mulheres usam o corpo, a beleza e a sedução.
Mulheres precisam ser belas, intuitivas, delicadas, doces e seguras.

E ai daquelas que não se encontram dentro desses parâmetros!
Serão ridicularizadas, mesmo que pareça brincadeira. Serão postas a prova todos os dias, mesmo que pareça que o teste é feito igualmente com todos.

Mulheres trabalham, cuidam da casa, dos filhos, do relacionamento, do corpo, da alma e do homem.

Uma mulher só é considerada mulher quando se casou e tem filhos.
Atualmente nos dão o benefício de podermos nos divorciar. Mas se nunca se casou ou se não deseja contribuir para o povoamento da Terra... tsc tsc tsc Os olhares enviesados ou penalizados estarão com você aonde for.

E isso tem sérias consequências... porque a mulher se sente menos pessoa, menos gente, menos feminina.

Uma mulher ainda precisa ser validada por um homem.
Seja que ele diga que o trabalho dela é bom, seja que admita que ela dirige bem ou que se case com ela provando que ela é uma boa mulher.

A maioria de nós busca essa validação.
Sofremos a psicose imposta de que sem casamento não somos ninguém.
Nos torturamos com dúvidas quanto à uma fugidia ligação no dia seguinte que irá nos confirmar que somos realmente interessantes.

Vivemos num mundo em que fingimos que somos autosuficientes, mas em que nos degladiamos numa absurda necessidade de aprovação.

Mulheres, exterminem a maldição que vive em vocês.
Cortem esses laços que as tornam dependentes.
Vocês não precisam ser validadas.

Usem sua condição e conhecimento de bruxas, para as que o forem, e eliminem essa tristeza iminente que as faz viver no fio da navalha.

Purifiquem-se dessa necessidade.
Validem-se a si mesmas.
Não busquem no outro uma confirmação do quão maravilhosas são.

Vocês são maravilhosas.

Todas vocês.