domingo, 19 de abril de 2009

O homem, o Sacerdote. O ser inteiro e igual.



Por Ana Marques


Esse é praticamente um blog para mulheres.

Mas meninas também falam de meninos. Não é?

Quero falar de meninos hoje.
Ou melhor, de homens. De sacerdotes. Seres inteiros e iguais. Tão bons quanto nós diante dos Deuses.

Desde que entrei nesse caminho bruxo, tenho visto uma enorme desvalorização masculina. De um lado para outro, vejo que deuses são relegados, que o papel masculino é destituído de força, até mesmo pessoas dizendo que determinados símbolos masculinos são femininos.

Esse comportamento, a meu ver, gera mais desequilíbrio.

Ninguém realmente respeita um companheiro fraco, destituído de poder pessoal. E claro, não estou me referindo à força física. Estou falando de força interior, que nós reconhecemos e na qual eles se reconhecem. Quando me refiro a companheiro, não falo apenas do marido/namorado, falo também daquele que a acompanhará nos rituais, fazendo o pólo oposto ao seu. Que respeito terá por ele, se considerá-lo inferior perante aos Deuses?

E na vida, pólos opostos se complementam e criam um uno. Juntos eles são a força da criação, a completude que alimenta e dá sentido aos ciclos.

Os pólos precisam existir e se unir para que a vida seja criada.

É absurdo, em nome de uma suposta época de ouro do matriarcalismo, condenarmos todos os homens pelo patriarcalismo ainda vigente. Retirarmos a sua força e poder na religião como se relegá-los a um segundo plano fosse nos restituir um poder que é nosso.

Se desejamos o equilíbrio, é preciso sair em busca dele.

O equilíbrio inexiste onde existem oprimidos, independente do sexo.

Derrubar um sistema opressor acusando os que estavam inseridos nele é culpar a parte pelo todo. É culpar a unha pela ação da mão. É culpar a mão pela ação do braço. É culpar o braço pela ação executada a mando do cérebro.

Somos todos, homens e mulheres, parte de um sistema que prima pela injustiça e pelo desequilíbrio. As mulheres, lembrem-se, educaram os homens e também ajudaram que o machismo e o patriarcalismo se mantivesse. Quantas aqui ouviram de mães e parentas que determinadas coisas eram "de mulheres"?

A desigualdade é social. O preconceito é social. O patriarcalismo é social.

A religiosidade deveria nos libertar.

Seremos nós também, mulheres e bruxas, responsáveis por perpetuar o desequilíbrio, invertendo-o?

terça-feira, 14 de abril de 2009

Amigas, rivais, bruxas, irmãs?


A cultura e a sociedade são impressionantes.


Por mais que lutemos por igualdade, por novos interesses, por uma sociedade mais justa conosco e com as nossas capacidades... algo nos escapa!


Continuamos a tratar nossas irmãs, nossas amigas, as mulhere que não conhecemos, as mulheres de nossa família, como rivais potenciais. Mães competem com as filhas, irmãs com irmãs, amigas com amigas. A rivalidade existe e é palpável. Desculpamos nos homens a barriga, o cabelo ralo, os brancos, o mau gosto nas roupas. Jamais desculpamos qualquer coisa em outras mulheres. Jamais desculpamos a nós mesmas. E se não nos desculpamos, se somos tão absolutamente críticas conosco, porque não seríamos com as outras mulheres?


Ah! Mas no paganismo é diferente! Não é? Somos irmãs de círculo. Somos irmãs de crenças. Somos irmãs na Deusa. Não é?


Não, não é.

Somos mulheres inseridas na mesma cultura e sociedade como todas as outras. Tivemos a mesma criação. Relevaremos uma mentira, uma desculpa, um ritual mal feito da maioria dos homens. Dificilmente desculparemos palavras mal escritas, um ritual desastroso, uma interpretação errônea, pequenas ou grandes mentiras.


Sendo assim, procuremos abrir nossas mentes para esses momentos que provavelmente ocorrem sem que percebamos quando temos tão pouca paciência com nossas companheiras bruxas. Vamos nos lembrar que somos todas humanas, em busca da felicidade, em busca de um começo, em busca da plenitude. E vamos buscar fazer isso não apenas para com nossas amigas, mas também com as estranhas, com as conhecidas, com quem não concordamos também...

Eu proponho substituirmos a rivalidade feminina pela cumplicidade feminina.

Mulheres, o que vocês acham?