terça-feira, 8 de março de 2011

Pecado


Não me chama de pecado.
O problema não está
ao seu lado.
Ele é seu.

Não me culpa
pela ruptura
da conduta
frouxa que tem para si.

Não olha por baixo
da minha saia
se não aguenta
ser homem em vez de bicho
depois disso.




O dia da mulher. 

Nenhuma de nós é responsável pelos homens perderem o controle, perderem o senso ou o sentido. Nenhuma de nós precisa baixar a barra da saia para que eles continuem sendo gente. Nenhuma de nós é culpada do excesso que eles praticam enquanto se justificam com a beleza dos nossos corpos ou a sedução do nosso andar. Somos livres para dizer não, para dizer sim, para dizer o que quisermos. E somos livres para sermos sedutoras, belas, ou não.
Somos livres, enfim.
Mas para o sermos, de verdade, a conscientização tem que partir da gente. Brigarmos pelo direito de sermos o que quisermos, sem a avaliação de uma sociedade hipócrita, que justifica crimes culpando/desqualificando a vítima.

domingo, 21 de novembro de 2010

Solidão

Imagem: yannfig

Por Ana Marques
Não quero saber do que você sente hoje.
Pode ir sentir longe de mim?
Estou num momento
egoísta-exclusivista de emoção
só minha pra mim.


***

É verdade, eu juro. Nenhuma mulher precisa estar disponível a todo momento. Temos direito à solidão desejada, que não se guarda ao homem ausente, mas a nossa ausência de vontade de estar com eles, ou com quem quer que seja.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A idade da Mulher



Mulher,

conte-me hoje:

- Por que tanto medo de envelhecer?

- Por que aceita que sua idade seja uma passagem de ida ao ostracismo?

- Por que releva o masculino e denigre o feminino?

por que, mulher?

Por que suas rugas são feias? Seu tempo é obsceno? Seu corpo é uma maldição?

Por que se violenta fora do seu tempo?

Por que aceita a determinação de um tempo? De uma conduta? Da roupa adequada?

Por que existem tantas regras para nos tornarem adequadas?]
Por que nos sujeitamos a elas?
E as cobramos... de outras mulheres?

Por que mulher? Por que transformou seu corpo, de fonte de prazer e vivência, em prisão?

Por que tanta dor no que devia ser a experiência?

Por que tanto corte no que devia ser a natureza?

Por que repetimos constantemente esse refrão?

Volte mulher.
Olhe-se no espelho.
Aceite sua beleza.
Reconheça o seu valor.

Não permita que a dor, que a sociedade, que o torpor a levem ao desgaste eterno de não poder ser mais a si mesma porque se sente traída pelo tempo que passou.

Volte.
Há muita vida aqui.
Para o que quiser fazer.

Ame-se mulher.
Hoje.
E todos os dias.

domingo, 8 de novembro de 2009

Geisy




Geisy...

Não tema os homens.

Eles são muitos, gritam alto, sapateiam... Mas a força deles é física, a mente deles mingua, a sensibilidade raramente existe.

Porém, tema as mulheres.
Porque a força do grito delas justifica a bestialidade deles.
E delas eu fiquei com medo.
O receio visto e ouvido que tive certeza ainda existir: mulheres que defendem a ofensa e ofendem suas iguais.

Isso me enoja. As mulheres que gritaram contra você.
Que se dispuseram a se convencer que o crime era seu...
E a condenar... mas Deuses, por quê?

Ah... Geisy.
Eu bem queria entender.

Que mulheres foram essas que se dignam a apredejar outras iguais.
Que um dia, no foco da turba, poderia estar uma delas!
Como não se dispor a defender que é ofendida?
Como se unir à turba enlouquecida?

Como mulheres - sensíveis, inteligentes, liberadas - se prestaram a gritar "Puta!" por uma saia mais curta? Uma perna mais grossa? Um andar mais sensual?

Não podemos mais ser sensuais?
Vivemos mesmo aonde?

Nada justifica a violência e a agressão.
Nenhuma roupa curta, decotada, transparente pode justificar um estupro real.
Por que justificaria um "estupro" moral?

Ah Geisy... agora temerosa até eu estou.
Porque temo a inveja, a ignorância e a injustiça.

Aliás, pode temer também a justiça.

A justiça sem ética de uma faculdade despreparada.
Tema a opressão feminina na porta da sua sala.
Tema, talvez, o tamanho da saia - que não deveria temer! - mas tema porque suas pernas são símbolo de poder!

Geisy...
É pena ver seu caso exposto.
Mas a sua defesa causou alvoroço.
Cabeças pensantes, e não alvitantes, que se puseram a defendê-la.

Não esqueça: quem te xingou é que é bestial, anormal, ditadorial. Sexista, exclusivista. Ridículo, estúpido, minúsculo.

Geisy, o que aconteceu com você é a chaga exposta da nossa sociedade, que se finge de igualitária e que acoberta esse tipo de maldade.
E para a turba que a atacou dê o troco. E para a faculdade que a caluniou, dê o troco também.
Que pese no bolso. Cobre tudo, cada vintém.
Que eles sintam, onde mais vai doer, a força que você tem.

E para finalizar...


Suas pernas, Geisy, não fique temerosa e não vá escondê-las.

Sua conduta é crível!
Seu comportamento é normal.
Sua roupa nada tinha de ofensiva.


Não se esqueça.
Você é livre!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Maldições femininas


Por Ana Marques

Vivemos entre maldições.

Entre brincadeiras abusivas e mensagens subliminares vamos gravando qual é o nosso papel enquanto ser social. Sabemos quem somos e aonde devemos ir.

Sabemos que vivemos para amar.
Inclusive em prol da desistência de nossa própria vida e sonhos.

Sabemos que estamos aqui e vivemos para sacrificar tudo.
Inclusive nosso orgulho, auto-estima e a nossa essência.

Mulheres tem jogo de cintura.
Mulheres amam mais e pensam menos.
Mulheres usam o corpo, a beleza e a sedução.
Mulheres precisam ser belas, intuitivas, delicadas, doces e seguras.

E ai daquelas que não se encontram dentro desses parâmetros!
Serão ridicularizadas, mesmo que pareça brincadeira. Serão postas a prova todos os dias, mesmo que pareça que o teste é feito igualmente com todos.

Mulheres trabalham, cuidam da casa, dos filhos, do relacionamento, do corpo, da alma e do homem.

Uma mulher só é considerada mulher quando se casou e tem filhos.
Atualmente nos dão o benefício de podermos nos divorciar. Mas se nunca se casou ou se não deseja contribuir para o povoamento da Terra... tsc tsc tsc Os olhares enviesados ou penalizados estarão com você aonde for.

E isso tem sérias consequências... porque a mulher se sente menos pessoa, menos gente, menos feminina.

Uma mulher ainda precisa ser validada por um homem.
Seja que ele diga que o trabalho dela é bom, seja que admita que ela dirige bem ou que se case com ela provando que ela é uma boa mulher.

A maioria de nós busca essa validação.
Sofremos a psicose imposta de que sem casamento não somos ninguém.
Nos torturamos com dúvidas quanto à uma fugidia ligação no dia seguinte que irá nos confirmar que somos realmente interessantes.

Vivemos num mundo em que fingimos que somos autosuficientes, mas em que nos degladiamos numa absurda necessidade de aprovação.

Mulheres, exterminem a maldição que vive em vocês.
Cortem esses laços que as tornam dependentes.
Vocês não precisam ser validadas.

Usem sua condição e conhecimento de bruxas, para as que o forem, e eliminem essa tristeza iminente que as faz viver no fio da navalha.

Purifiquem-se dessa necessidade.
Validem-se a si mesmas.
Não busquem no outro uma confirmação do quão maravilhosas são.

Vocês são maravilhosas.

Todas vocês.

domingo, 25 de outubro de 2009

Não vale a pena


Por Ana Marques

Mulher.

Me ouça.

Não vale a pena.

Não vale a pena morrer pelo amor de um homem.
Amor é vida e se ele a faz morrer um pouco todos os dias... ele não vale a pena e esse amor é uma mentira.

Não existem amores impossíveis num clamor sem fim.
Nem situações que não possam ser resolvidas.
Se ele a quiser de verdade, ele ficará disponível. Ele a valorizará. Ele estará ao seu lado.

Não desonre sua história, seu orgulho, sua auto-estima.

Não sacrifique sequer sua unha!

Não.

Me ouça.

Se ele a ama não há outra mulher, outra vida, outra ocupação.
Se ele tem outra mulher, outra vida, outra ocupação... que o mantém eternamente afastado de você é porque não vale a pena!

Mulheres, ouçam-me.

Não há nada de mal em sair, em transar, em sentir prazer sem compromisso.
Se é isso que realmente se deseja.

O que é errado é não desejar isso e fingir, para tentar atrair alguém.

Não existe nada errado também em querer alguém fixo.

O que é errado é mentir que não quer, para se fazer desejável.

Mulher, todas podemos ser desejáveis.
Se desejarmos o melhor a nós mesmas e não aceitarmos nada menos que a felicidade.
Que a completude.
Que a integridade.

Mulher, me ouça.
Se ele não a valoriza, ele não a merece.

Ele não vale a pena.
Vá em frente.

Você vale a pena.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Mulher


Por Ana Marques

Olhe para o lado.

Quantas amigas ajudou hoje?

Agora olhe para si.

Quantas vezes foi honesta, sincera, íntegra?
Quantas vezes hoje teve orgulho de si mesma?

Olhou?

Quantas vezes hoje lutou pelas causas que defende?
Defendeu quem ainda não consegue falar sozinho?
E sozinha, quantas vezes sentiu que fez a sua parte?

Sem desculpas.
Sem delongas.
Sem meias verdades.

Olhe para si mesma. Responda.
Quantas vezes hoje sentiu alegria em ser e se proclamar MULHER?