segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
A idade da Mulher
Mulher,
conte-me hoje:
- Por que tanto medo de envelhecer?
- Por que aceita que sua idade seja uma passagem de ida ao ostracismo?
- Por que releva o masculino e denigre o feminino?
por que, mulher?
Por que suas rugas são feias? Seu tempo é obsceno? Seu corpo é uma maldição?
Por que se violenta fora do seu tempo?
Por que aceita a determinação de um tempo? De uma conduta? Da roupa adequada?
Por que existem tantas regras para nos tornarem adequadas?]
Por que nos sujeitamos a elas?
E as cobramos... de outras mulheres?
Por que mulher? Por que transformou seu corpo, de fonte de prazer e vivência, em prisão?
Por que tanta dor no que devia ser a experiência?
Por que tanto corte no que devia ser a natureza?
Por que repetimos constantemente esse refrão?
Volte mulher.
Olhe-se no espelho.
Aceite sua beleza.
Reconheça o seu valor.
Não permita que a dor, que a sociedade, que o torpor a levem ao desgaste eterno de não poder ser mais a si mesma porque se sente traída pelo tempo que passou.
Volte.
Há muita vida aqui.
Para o que quiser fazer.
Ame-se mulher.
Hoje.
E todos os dias.
Postado por Ana Marques às 1/25/2010 12:01:00 AM 0 comentários Links para esta postagem
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domingo, 8 de novembro de 2009
Geisy
Geisy...
Não tema os homens.
Eles são muitos, gritam alto, sapateiam... Mas a força deles é física, a mente deles mingua, a sensibilidade raramente existe.
Porém, tema as mulheres.
Porque a força do grito delas justifica a bestialidade deles.
E delas eu fiquei com medo.
O receio visto e ouvido que tive certeza ainda existir: mulheres que defendem a ofensa e ofendem suas iguais.
Isso me enoja. As mulheres que gritaram contra você.
Que se dispuseram a se convencer que o crime era seu...
E a condenar... mas Deuses, por quê?
Ah... Geisy.
Eu bem queria entender.
Que mulheres foram essas que se dignam a apredejar outras iguais.
Que um dia, no foco da turba, poderia estar uma delas!
Como não se dispor a defender que é ofendida?
Como se unir à turba enlouquecida?
Como mulheres - sensíveis, inteligentes, liberadas - se prestaram a gritar "Puta!" por uma saia mais curta? Uma perna mais grossa? Um andar mais sensual?
Não podemos mais ser sensuais?
Vivemos mesmo aonde?
Nada justifica a violência e a agressão.
Nenhuma roupa curta, decotada, transparente pode justificar um estupro real.
Por que justificaria um "estupro" moral?
Ah Geisy... agora temerosa até eu estou.
Porque temo a inveja, a ignorância e a injustiça.
Aliás, pode temer também a justiça.
A justiça sem ética de uma faculdade despreparada.
Tema a opressão feminina na porta da sua sala.
Tema, talvez, o tamanho da saia - que não deveria temer! - mas tema porque suas pernas são símbolo de poder!
Geisy...
É pena ver seu caso exposto.
Mas a sua defesa causou alvoroço.
Cabeças pensantes, e não alvitantes, que se puseram a defendê-la.
Não esqueça: quem te xingou é que é bestial, anormal, ditadorial. Sexista, exclusivista. Ridículo, estúpido, minúsculo.
Geisy, o que aconteceu com você é a chaga exposta da nossa sociedade, que se finge de igualitária e que acoberta esse tipo de maldade.
E para a turba que a atacou dê o troco. E para a faculdade que a caluniou, dê o troco também.
Que pese no bolso. Cobre tudo, cada vintém.
Que eles sintam, onde mais vai doer, a força que você tem.
E para finalizar...
Não se esqueça.
Você é livre!
Postado por Ana Marques às 11/08/2009 11:23:00 PM 2 comentários Links para esta postagem
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Maldições femininas
Postado por Ana Marques às 11/02/2009 03:54:00 PM 1 comentários Links para esta postagem
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domingo, 25 de outubro de 2009
Não vale a pena
Postado por Ana Marques às 10/25/2009 11:03:00 PM 7 comentários Links para esta postagem
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Mulher
Postado por Ana Marques às 10/19/2009 10:48:00 PM 1 comentários Links para esta postagem
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Não te falo mais nada.
por Ana Marques
Não te falo mais nada.
Meu corpo não tem espaço para tanta pancada e meu fígado já falha da raiva que eu guardo. Não tenho voz para te acusar, não tenho sangue para me defender. Vivo dos desvios – às vezes rápidos e às vezes lentos – dos tapas que voam para todo lugar. Meu corpo sacode no ar, não é de alegria ou gozo. Sacode da surra que me espera ao final de um dia ruim.
Que vida é esta?
A igreja e o padre não respondem. Resigno a mim mesma em orações que não faço. Não vou mais à missa, não acredito em mais nada e dia a dia a vida segue sem cessar.
Não cessam os socos, que às vezes chegam aos filhos. Filhos estes que também não param de chegar.
Chega!
Não te falo mais nada.
A odisséia remonta o espetáculo. Retoma o palco e lá vou eu. É mais longa a sessão de porrada e quase por nada eu durmo no chão. O sangue se espalha, eu limpo, cansada, vou passando o pano no chão.
A boca não abre de tão inchada, os dentes já moles reclamam dentista, comida, dignidade e um pouco de paz. Não tenho mesmo para onde ir, os dentes mesmo que caiam não sujam o chão e me deixo ficar quieta e parada esperando o próximo dia: de paz ou de cão.
E o cão late de fome, crianças desnutridas choram no meu ouvido, o estômago dói de tão vazio. A fome chega de todos os lados, mas a comida faz tempo parou de chegar.
Chega!
Não te falo mais nada.
Meu corpo vazio é surrado ao extremo. O coito que agüento não é interrompido e em todas as noites tenho de suportar. Teu corpo invade, estupra, machuca. Teu beijo nojento submete minha vida, a mão suja explora e sacia uma sede de domínio que não posso entender. Entrego a honra que não existe. Que vantagem teria em dizer “não”? Tanta pancada pra quê? Toma essa carne, satisfazer tua fome é a minha função.
Mais uma noite e mais um dia, você me toma em qualquer lugar. Criança que vê, silencia e aprende: cala este grito, segura este choro e abre as pernas para o braço não descer. Para teu prazer meu corpo moído não chega, mas prazer para mim há muito parou de chegar.
Chega!
Não te falo mais nada.
Minha arma dispara.
Seis tiros em teu peito que eu não quero te ouvir.
Crianças na rua, orfanato, abrigo. Talvez a casa dos avós?
Não te falo mais nada e nem vou te ouvir.
Você já era.
Para mim foi tanta porrada, para ti foram seis tiros no peito. Eles calaram teus gritos, as tuas ofensas, a dor, a fome e a humilhação.
Se mais dor chega, junto com teu último suspiro, de qualquer jeito esta dor nunca parou de chegar.
Então chega o fim.
P.S.: A história é baseada num fato. Na lembrança que eu guardo de uma vizinha com vida semelhante e que o final foram quatro tiros no peito do marido e a fuga com três filhos debaixo do braço. Dei aula para um dos meninos dela e a conheci antes do acontecimento narrado nesse conto. Nunca tinha visto tanta violência guardada numa criança e poucas vezes tinha visto uma mulher tão infeliz.
Que a violência não seja suportada. Nunca.
Que ela seja denunciada. Sempre.
Postado por Ana Marques às 9/28/2009 02:19:00 PM 6 comentários Links para esta postagem
Marcadores: violência doméstica
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
E mais uma novela se foi...
Já contei que de vez em quando, principalmente nos capítulos finais, eu costumo assistir novelas?
Postado por Ana Marques às 9/14/2009 12:06:00 AM 0 comentários Links para esta postagem
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